quarta-feira, 10 de junho de 2026
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Copom na Corda Bamba: Alta do Petróleo Coloca Corte de Juros em Xeque

Disparada do barril com crise no Oriente Médio reduz otimismo do mercado e abre três cenários possíveis para a reunião da próxima semana

BRASÍLIA (DF) — A escalada do conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã impôs um novo e incerto capítulo à política monetária brasileira. A disparada do preço do petróleo nas últimas semanas reduziu drasticamente o otimismo do mercado financeiro com um corte expressivo da taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 17 e 18 de março .

Antes da crise, os contratos futuros na B3 indicavam cerca de 80% de probabilidade de um corte de 0,5 ponto percentual. Agora, analistas trabalham com três possibilidades, nenhuma delas envolvendo alta da taxa: uma redução de 0,5%, um corte mais modesto de 0,2% ou até mesmo a manutenção dos juros em 15% ao ano, patamar em que se encontram desde junho de 2025 .

O efeito Ormuz no bolso do brasileiro

O principal fator de preocupação é o risco de interrupção no Estreito de Ormuz, rota por onde passam entre 15 e 20 milhões de barris de petróleo por dia — mais de 20% da produção mundial. A tensão elevou as cotações internacionais aos maiores níveis desde meados de 2024, com o barril do Brent sendo negociado próximo a US$ 90 .

Petróleo mais caro pressiona combustíveis, fretes e, consequentemente, os preços de uma vasta gama de produtos. Esse choque pode elevar a inflação, que é a principal variável observada pelo Banco Central ao definir a Selic. Quanto maior a taxa básica de juros, maior o custo do crédito e menor o consumo, o que ajuda a conter a alta dos preços .

Para o economista-chefe do Banco BMG, Flavio Serrano, o cenário ficou mais incerto. “Com o IPCA-15, as apostas já haviam mudado. Agora, com a crise no Oriente Médio, estão praticamente divididas”, afirmou. Ele mantém a expectativa de corte de 0,5 ponto, mas reconhece que o BC pode optar por uma redução menor se o cenário piorar .

Já Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, acredita que o Copom deve adotar uma posição mais prudente. “A tendência é adiar o início do corte ou, no mínimo, reduzir a probabilidade de um corte já na largada, porque o BC prefere errar por excesso de prudência quando o choque vem de energia e geopolítica”, explicou .

O fator dólar

Outro elemento de pressão inflacionária é a tendência de alta do dólar. A moeda americana fechou recentemente cotada a R$ 5,26 e pode chegar a R$ 5,50 nos próximos dias, segundo Lucas Dezordi, economista e professor da PUCPR. Um câmbio mais elevado encarece as importações e reforça a pressão sobre os preços internos .

Apesar do aumento das incertezas, Dezordi acredita que um corte de 0,5 ponto ainda não deve ser adiado. O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, por sua vez, afirmou que o conflito não deve ter efeito imediato sobre a política monetária, mas admitiu que um repasse mais intenso aos preços pode antecipar o fim do ciclo de cortes .

A continuidade das reduções dependerá diretamente da duração da crise e da situação no Estreito de Ormuz. Se o bloqueio persistir, o cenário para novos cortes pode mudar de forma estrutural. Caso o conflito seja contido nas próximas semanas, o impacto tende a ser temporário e administrável.

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