quarta-feira, 10 de junho de 2026
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Diretor da PF expõe bastidores do caso Master e ofensiva bilionária contra o crime organizado

Andrei Rodrigues revela R$ 10 bi apreendidos com crime organizado

Redação

BRASÍLIA (DF) — Em entrevista exclusiva ao UOL News, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos Rodrigues, detalhou o impacto de investigações em curso, com ênfase no caso Master – considerado pela PF e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como a maior fraude bancária da história do Brasil. Rodrigues enfatizou a seriedade do trabalho da corporação, que atua com autonomia e integração institucional para combater crimes de alto calibre, independentemente de status social ou político dos envolvidos.

Rodrigues descreveu o caso Master como “talvez a maior investigação da Polícia Federal”, pelo volume bilionário de recursos desviados, pela quantidade de pessoas investigadas e pelo nível de sofisticação das fraudes. Ele destacou a fiscalização do Banco Central, liderada pelo presidente Gabriel Galípulo, que identificou irregularidades e as comunicou à PF. “A facilidade com que se criam aparentemente valores na casa de bilhões, que passaram despercebidos, chama atenção”, afirmou o diretor, citando exemplos escandalosos como uma moradora e funcionária de padaria, com salário de R$ 400, indicada como presidente de fundos usados como garantia em negociações com o BRB.

Avanços contra o crime organizado e desvios bilionários

Sob a gestão de Andrei Rodrigues, a PF tem intensificado ações contra o crime organizado, com resultados expressivos. Em 2025, a corporação apreendeu cerca de R$ 10 bilhões em bens como dinheiro, veículos, imóveis, aeronaves e embarcações – um salto em relação aos R$ 6,5 bilhões de 2024. Esses valores, efetivamente amealhados para a União, representam a descapitalização de estruturas criminosas.

Na Operação Overclean, a PF bloqueou R$ 271 milhões em desvios de emendas parlamentares, parte de um esforço maior contra fraudes. Rodrigues comparou o assalto ao Banco Central de Fortaleza (R$ 165 milhões, há 20 anos) com golpes atuais, como dois jovens em um hotel que desviaram R$ 800 milhões via notebook, dos quais mais de R$ 500 milhões foram recuperados. “Isso nos faz rever estratégias de investigação para maior efetividade”, ponderou o diretor.

Ele criticou projetos legislativos no Congresso que visavam limitar a atuação da PF, especialmente em um momento de discurso contra o crime. “Não falamos só do preto da favela com fuzil, mas sobretudo do andar de cima, com dinheiro e poder comandando tudo”, reforçou Rodrigues, defendendo a ampliação das capacidades das agências de segurança.

Engenharia sofisticada do crime e integração institucional

Rodrigues traçou um diagnóstico do crime organizado como um “serviço” acessível a diversos atores – de traficantes a corruptos –, não exclusivo de facções como o PCC. Ele citou operações como Carbono Oculto e Tanque Quasar, em São Paulo, que revelaram lavagem de dinheiro via fintechs, refinarias e venda de combustível adulterado. No Rio de Janeiro, ações da PF nas favelas e contra o “andar de cima” derrubaram o presidente da Alerj, mostrando contágio entre política, polícia e crime.

A autonomia garantida pelo ministro Ricardo Lewandowski, mantida por Flávio Dino e pelo presidente Lula, tem sido crucial. “Atuamos sem olhar cor partidária ou ideologia, com integração à Receita Federal, Ministério Público e polícias estaduais”, explicou o diretor. A investigação do Master, sob sigilo e foro no STF, avança com prisões, buscas e depoimentos, prometendo extirpar instituições fraudulentas do sistema financeiro.

Andrei Rodrigues, com agenda lotada – incluindo reunião com o ministro da Justiça –, demonstrou compromisso com a transparência, concedendo tempo extra à entrevista. Sua liderança reforça a PF como vetor essencial no enfrentamento ao crime de colarinho branco e organizado no Brasil.

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